Entrevista

Entrevista com o Patients

29/01/2012 2012-01-29 00:01:00 KoME Autor: sianface, jessieface & Jade Tradutor: Nana

Entrevista com o Patients

A banda punk Patients nos falou sobre sua música e a cena punk coreana como um todo.


© Steelface Records
Como um dos artistas que se apresentaram no agora extinto clube Skunk Hell em Seul, o Patients tem visto muitas mudanças na cena punk coreana ao longo dos anos. Implacável, a banda continuou a lançar novas músicas, a fazer shows e não mostram sinais de desistir ainda. Seguindo o lançamento do seu último álbum Kitsch Space, o Patients separou um tempo para responder a algumas de nossas perguntas.

Primeiro de tudo, podem se apresentar para os nossos leitores?

Junmyeong Baek: Oi. Nós somos o Patients uma banda punk híbrida da Coreia do Sul.

Sumin Jo: Olá. Nós somos o Patients, uma banda de rock.

Nos diga uma coisa sobre os outros membros da banda.

Jaehyuk Lee: Eles são roqueiros punks com total independência e individualidade, o que é muito raro nos dias de hoje.

Junmyeong: Sumin, o vocalista e baixista, e eu temos sido amigos na cena por cerca de dez anos, e nos tornamos uma banda há seis anos. Ele é meu amigo antes de ser meu colega de banda, o que possui bons e maus pontos. Jaehyeok é o nosso baterista e participou como músico de apoio em várias gravações de projetos. e ele até foi engenheiro de um clube chamado "Skunk Hell", onde eram feitos vários. Ele tem uma grande habilidade para tocar muitos instrumentos.

Sumin: Grandes músicos se tornam totalmente impotentes quando colocam seus instrumentos de lado.

Para aqueles que ainda não os conhecem, como vocês descreveriam sua música?

Junmyeong: Bem, é muito difícil descrever a nossa música. Eu acho que atualmente nós misturamos tudo o que gostamos sem organizar muito. O punk é o nosso som de base, mas não somos exigentes quanto a outros gêneros de música, porque somos os punks híbridos.

Sumin: Punk rock orientado para o futuro com elementos de loucura e cura.

Patients parece um nome um pouco estranho para uma banda, como vocês chegaram a isso? Há algum significado especial por trás dele?

Sumin: Se formos explicar Patients em coreano, é uma palavra homônima significando “pessoa doente” e “pessoa feliz”. Eu acho que é uma sugestão de onde dói para o futuro da sociedade coreana, mas ainda há felicidade.

O que as pessoas podem esperar do novo álbum? No que ele se difere dos seus álbuns anteriores?

Junmyeong: Por um longo tempo, nós só fizemos singles. Mas finalmente, fizemos um álbum completo. Eu acho que colocamos nossos pensamentos e sentimentos direto nele. Se nossos álbuns anteriores eram punks cheios de raiva, então agora nós tentamos ver as coisas de forma diferente. Mas eu não acho realmente que nos tornamos adultos completos. (risos)

Sumin: Apenas curtam nosso álbum. Nós tentamos o nosso melhor para ajudar às pessoas a curti-lo e fizemos um monte de armadilhas aqui e ali para isso. Esperamos que as pessoas pisem muito nas armadilhas.

Por que vocês decidira chamar o album de “Kitsch Space”?

Sumin: Para o título do álbum, primeiro eu pensei em "the messed up room" (o quarto bagunçado), então eu procurei por uma palavra que tivesse mais interpretações. O que nós queríamos expressar era uma mistura de duas palavras: "tontura" e "bagunça”. Eu queria dar a cada ouvinte a possibilidade de interpretá-lo por si mesmos. Enquanto eu estava pensando, eu achei que a palavra "kitsch" se encaixou bem, porque a origem da palavra significa "jogue enquanto se esfrega na lama". Eu acho que "kitsch" é o tipo de palavra que nós sempre podemos questionar o valor. Para adicionar mais senso de espaço ao título, eu usei a palavra "space" em vez de "room". Eu escrevi o título em inglês e em coreano ao mesmo tempo. Também, eu acho que a palavra "kitsch" é muito parecida com a palavra "punk", que achei interessante.

Junmyeong: Nossos pensamentos colidem com bastante frequência, o que nos diverte e às vezes se torna a força motriz da criatividade. Na verdade, nossos quartos são bagunçados, mas eventualmente tem tudo o que gostamos e que precisamos nos lugares certos. Eu acho que a maioria das pessoas também tem essa experiência. Normalmente, quando as mães arrumam os quartos, elas sempre reorganizam as coisas em lugares diferentes, então você não as encontra, mesmo quando você não tem que arrumar! Também acho que decidimos chamar de "Kitsch Space" então faz disso mais complexo e surreal.

Vocês tinham alguma meta específica quando escreveram as novas músicas?

Sumin: Enquanto eu estava no processo de trabalhar neste álbum, eu estava em um lugar escuro. As letras foram tiradas direto da minha ansiedade e emoções. E eu me senti curado quando cobri com sons agradáveis e acolhedores. Eu espero que as músicas que fizemos neste tipo de processo levem conforto àquele que a escutar. Eu espero por um efeito positivo ou, pelo menos, eu espero que vocês curtam.

Jaehyeok: Eu queria torná-las menos tensas e com som suave… mas… isso não aconteceu.

O que os inspira para escrever música?

Jaehyeok: Quando tocamos juntos, os olhares em nossos rostos nos inspiram. Algumas vezes colegas de banda brincam com suas expressões faciais ao invés de seus instrumentos.

Junmyeong: Há muita coisa. Os sons da música, o oceano, o céu, as montanhas, etc. e eu sempre consigo inspiração enquanto estou na internet. Eu também consigo inspiração de sonhos.

Qual música do Patients vocês gostam e desgostam no todo?

Junmyeong: Eu realmente não tenho nenhuma. Bem, eu tenho pressa para novas músicas, então estou constantemente tentando escrever novas. Se eu acho que as músicas que escrevi no passado estão presas em algum tipo de perfil, então eu só a rearranjo ou apenas não a toco. Eu acho que a coisa mais importante é o que você mostra agora, no momento.

Jaehyeok: Eu realmente não consigo decidir. Eu curtiria ouvir a maioria das músicas.

Sumin: Eu amo cada uma de nossas músicas. Nesses dias, eu curtiria ouvir nosso álbum que foi lançado recentemente. Eu frequentemente escuto a música The Boy Who Turns Into a Dog.

Como você acha que o punk coreano se difere do punk mais tradicional com raízes em Londres? Você vê uma diferença?

Junmyeong: A ascenção da cena punk de Londres em 1977 nos deu muita inspiração e se tornou um manual muito bom para fazermos algo por nós mesmos ativamente. Mas aqui tinha limites para nós fazermos, então precisamos entrar no processo de reinterpretação. Essa é a diferença. As partes similares são a animosidade que os jovens sentem pela sociedade, a animosidade à geração antiga e a consciência dos estereótipos. Então, a coisa que queríamos mostrar era nossa própria voz e eu acho que isso é similar.

Sumin: Eu posso ver de onde vem essa pergunta, mas você não tem que se preocupar. Eu também sou contra os wannabes do passado, que estavam apenas lutando através do vestígio do punk e nem mesmo chegaram ao ponto real do punk rock. No ano de 2000, muitas bandas apareceram na Coreia e deram o maior passo no pós-punk com suas próprias cores e mostrou uma diversidade que é muito difícil de explicar como um todo. As bandas que apenas imitam também são desvalorizadas na Coreia. O punk rock tradicional é realmente maravilhoso. Eu acho que a essência do punk rock será eterna enquanto as cidades existirem. Nós vivemos em tempos globais e a história dos jovens pode não ser tão diferente, mas ser uma banda punk independente na Coreia faz você pensar sobre como elas deveriam ser diferentes do punk rock tradicional. A única diferença é que talvez você tenha que demonstrar seu poder destrutivo bebendo soju em vez de vodka como seu combustível? (risos)

Jaehyeok: Bem, eu não sou um ativista, então eu realmente não sei. Para mim isso não é punk rock, eu só quero fazer música.

Qual é a atmosfera de shows punks coreanos?

Jaehyeok: Não é a mesma de antes. A atmosfera da sociedade vem direto através das casas de show. As pessoas esperam que um herói ou uma estrela de rock apareça.

Sumin: Há caras que sonham com algo novo e caras que estão presos ao passado. Eu acho que é um período de transição para todos eles.

Junmyeong: Eu acho que nós temos um longo caminho para seguir. Eu acho que há gêneros e lugares que diferenciam a cena e lá é mais diversificado do que antes, mas eu acho que as pessoas que estão presas ao passado e continuam ansiando por ele, deveriam pensar que é um pouco diferente agora. Como o punk de Londres está atrofiado, eu acho que precisamos de uma alternativa.

Qual foi a sua experiência de vida favorita?

Junmyeong: Bem, eu acho que posso dizer que foi o show de lançamento do álbum que fizemos recentemente. Eu desejo que todos os dias sejam tão divertidos que nem aquele, mas nós não podemos lançar um álbum a cada mês, você sabe... (risos)

Sumin: O show de lançamento do Kitsch Space que fizemos recentemente. Eu estava feliz.

Jaehyeok: Um show em uma universidade de mulheres.

Vocês podem compartilhar conosco qualquer história engraçada de suas turnês?

Junmyeong: Nada realmente me vem a mente agora. Bem, eu lembro quando o Patients e duas outras bandas foram todas juntas confortavelmente em um passeio para Busan, que é minha cidade natal. Aquele tipo de memória é sempre divertido de lembrar.

A música coreana que é mais popular no ocidente tende a ser mais pop; vocês já se sentiram sob pressão de fazer algo mais comercial?

Sumin: Nós não somos uma banda para "uso comercial", então eu realmente não senti pressão para isso. Para nós, ter popularidade comercial não é importante. O que importa é que tocamos e fazemos música que gostamos e acreditamos no seu valor. Eu sinto mais pressão quando penso sobre como levar as coisas que gostamos às outras pessoas de uma boa maneira.

Junmyeong: Eu acho que não é ruim deixar as pessoas saberem quem é comercial. Mas isso pode ser processado apenas quando fazemos o que queremos fazer e quando pensamos que isso é honorável quando olhamos para trás. Eu realmente não quero repudiar a música pop. Há razões pelas quais muitas pessoas gostam dela.

Jaehyeok: Quando eu estava sem dinheiro.

Quais artistas coreanos vocês recomendariam para os nossos leitores?

Jaehyeok: Eu gosto da música Tune da Young-Ae Han. Eu acho que ela é como a Janis Joplin da Coreia.

Sumin: Patients e Pony.

Junmyeong: Galaxy Express, The Moonshiners e Patients.

O Patients está por aí há algum tempo, como você acha que seu som mudou desde o seu primeiro álbum?

Junmyeong: Eu acho que somos mais diversificados que antes. Posso dizer que a nossa forma de expressar nossas emoções e pensamentos não é tão direta quanto antes, mas fazemos isso de várias maneiras.

Sumin: A gama de maneiras de expressar nossas emoções se expandiu e se tornaram mais diversificadas. Há mais para aproveitar do que antes.

Jaehyeok: Se tornou mais delicado do que antes, e um tipo de perda da juventude nela.

Além da Coreia, onde no mundo vocês mais gostariam de se apresentar?

Jaehyeok: Times Square, em Nova Iorque.

Junmyeong: Porque somos uma banda de rock, é claro que o 100club em Londres e o CBGB (infelizmente se foi agora) são os principais. Eu gostaria de me apresentar em qualquer lugar que as bandas que eu gosto se apresentaram antes.

Sumin: Milano.

Onde você vê a banda em 10 anos?

Junmyeong: Eu realmente não pensei sobre isso, eu acho que será muito diferente de agora. Nós devemos fazer shows ou talvez a banda poderia dar um tempo ou poderia ter terminado. O importante é que se você quiser saber o que acontecerá com a banda em 10 anos, então o presente se torna importante.

Jaehyeok: Eu realmente não sinto necessidade de pensar sobre o futuro, o presente é importante.

Sumin: Estar em uma banda é como um paciente com vida limitada. Se estivermos ok em dez anos, eu espero que sejamos uma banda que tenha lançado muitas músicas boas e uma banda que a pessoas tenham expectativas.

Alguma mensagem final para os nossos leitores?

Sumin: Curtam o álbum Kitsch Space.

Junmyeong: Eu acho que não devemos trair a nossa curiosidade até ficar velhos e morrer. Se nos ajustamos ao resto, então não temos nós mesmos. Então tentem aproveitar mais a vida. Sem hesitação!

O KoME gostaria de agradecer aos membros do Patients e a Steel Face Record por fazer esta entrevista possível.
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